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domingo, 31 de outubro de 2010

A linha não tão tênue

Já ouvi pessoas utilizarem os termos "putos" e "cafajestes" como sinônimos em diversas ocasiões, corroborando para o fato de que muita gente desconhece a linha não tão tênue entre uma e outra coisa. Pois deixe-me esclarecer.
Putos e putas, para quem não sabe, são palavras designadas a almas quase nada seletivas, as quais entregam o corpo a torto e a direito aos que se dispuserem a dar migalhas, nem sempre relacionadas com dinheiro. Detém ínfimo poder de escolha, não oferecem resistência. Em suma: Por possuirem a mente fraca, fazem com que o amor prórpio padeça.
Cafajestes, por sua vez, pertencem a milhões de estirpes que convergem a uma característica substancial: A arte de petiscar. Fazem isso com primazia. Saboreiam pouco, apenas o que querem, quando querem e, sobretudo, o suficiente para não apaixonarem-se, requisito principal de um lovegame perfeito.
Bem disse, são diversos: Homens, mulheres, ricos, pobres, bonitos, tímidos, feios, com ou sem emprego e nome falsos, famosos ou não. Todos gênios, ambiciosos e soberbos, mimados pelos louros de suas conquistas. Isto é ser cafajeste; temos muito de aprender com eles.
O leitor deve estar se perguntando quanto a mim. Honestamente, não enquadro-me, graças a Deus, em nenhum dos casos. Sei escolher, bem como aprendi a lidar com a situação se, por algum motivo, receber sonoros "não". Aliás, apego-me ás pessoas. Transformo petisco em manjar. E saboreio até chorar de cólicas.

É hoje

Hoje, último dia do mês de outubro, é data deveras importante para o Brasil: Poderemos escolher, dentre dois candidatos es-pe-ta-cu-la-res, o nosso presidente, máximo representante de uma nação democrática e gerenciador de inúmeras reservas petrolíferas, da Amazônia e de verbas faraônicas destinadas a construção de complexos esportivos para a Copa e Olimpíadas, em 2014 e 2016, respectivamente. Significa muita coisa, não?
Tendo conhecimento disso, resolvi abrir meu coração sincero, e mandar, docemente, Dilma e Serra se foderem. E não é apenas "se foderem" em sí, mas sim um efusivo sefodam.com, pois perdi parte da minha vida esperando discussões úteis que, no fim, faltaram.
Quis saber quantas escolas seriam feitas no norte e nordeste, regiões muito atrasadas, mesmo para um país emergente. Também queria que falassem do minério daqui, ao menos um pouco. E de nossas florestas. E de nossas vidas, ligadas ao estado de modo mais estatístico do que humano. Nada disso aconteceu.
Disseram serem contra o aborto, muito embora acho que a candidata Dilma, "nunca-antes-eleita-para-qualquer-coisa-neste-país", não saiba, da missa, metade. Rosnaram, entre sí, nomes de Paulo Preto e Erenice (Mas quem Diabos é Paulo Preto, meu Deus?!) e finalizaram a campanha discutindo, cordialmente, se o OVNI jogado no enorme alvo que a calvície de José Serra se transformara havia sido uma bolinha de papel ou um rolo de fita durex. Façam-me o favor.
Já que estamos numa idiocracia, o melhor a ser feito é abolir as eleições e decidir tudinho em uma dança, no Domingão do Faustão. Desse modo popamos tempo, dinheiro e, sobretudo, paciência.

sábado, 30 de outubro de 2010

Carta de resposta. A segunda.

"Acabei de pensar em uma questão a qual desejo que o nobre e sábio Caboclo Amazônida me respondesse:
Como tirar da cabeça alguém que o seu coração insiste em gritar o nome?"
Anônima.

Não entendo por que o coração leva culpa de tanta coisa. Pelo que me foi ensinado na escola, ele é um orgão oco, musculoso e que, através de sístoles e diástoles, consegue bombear o sangue para os espaços mais improváveis do corpo. Gritar (ou mesmo cochichar) não é sua especialidade.
Quem faz tanto escândalo, na verdade, é o subconsciente, cúmplice culposo de um rapaz que amarrou-lhe sem precisar ter feito qualquer esforço hercúleo. Ele sim, o cafajeste, rato de puteiro, mostra-se o grande responsável por seu organismo estar ás avessas, cheio de sudoreses, insônia e taquicardias aos montes.

Esclarecidos estes fatos, vamos direto ao ponto:
Se você acha que tenho a fórmula da independência amorosa, desista. Não posso lhe ajudar em tal quesito.
Há comigo, na verdade, poucas ponderações de boa serventia, querida. Aceite-as se assim desejar:
1ª ponderação: Tenha paciência.
Pe. Antônio Vieira dizia o seguinte: O tempo corre, e, assim como atreve-se a derrubar colunas de mármore, corações de cera não escapam-lhe dos efeitos. O tempo enfastia o gosto. Ele devia estar certo.

2ª ponderação: Conquiste sua liberdade aos poucos.
Não vale a pena ficar em casa, chorando no chão da cozinha, e chamando-se de burra. Isto, além de não aumentar o seu número de neurônios, vai, aos poucos, acabar com toda estrutura que lhe resta.
Por experiência própria, ponha uma roupa bacana, saia de casa, perfume-se com perfumes tão bons quanto o adocicado one million ou o fortiíssimo Diamonds, e seja feliz com outras pessoas. Regogize-se com quem faz da possibilidade de deixá-la alegre, algo real.
E derradeiro: reze, de noite, para que todo dia seja um dia de felicidade.


Belém, 30 de outubro de 2010.

sábado, 23 de outubro de 2010

De volta.

Apesar de todas as catástrofes, há sempre um recomeço, melancólico, porém ainda recomeço.
Hoje não vim relatar nada tão intimista. Na verdade, o maior motivo de estar escrevendo é meu desejo de voltar a ser como antes. Fazer as coisas de antes, e ser competente como fui por bastante tempo. Um recomeço, por que não?
Para quem lê aqui -e duvido muito que alguém leia- deve ter ficado bem perceptível o declínio do meu número de produções, além da decadência da qualidade dos textos, bem como os temas, que, saindo da esfera político-fantasiosa, foram parar como croniquetes dignos da geração Spleen ou mesmo de Álvares de azevedo. Eu sinto-me ridículo. E mais ridículo por perder meu tempo ainda escrevendo isso.
De qualquer forma, tudo finda algum dia. Chega deste bendito paradoxo e vamos, finalmente ao que interessa: Estou de volta, amiguinhos, de corpo e alma, pronto para relatar o quanto minhas costas doem por causa do vestibular ou o quanto geometria analítica transforma meu cérebro em serragem.
Sinto-me pronto, também, para escrever sobre política, pois só terei este manjar novamente daqui há quatro anos, e pretendo, até lá, ocupar minha agenda com coisas muito mais interessantes do que ficar sentado na frente do computador.
Então é isso. Deliciem-se com este bilhete e aguardem pelas próximas crônicas, as quais, eu prometo, terão melhor qualidade e um entendimento mais acessível.

Um beijo no coração, Seus merdas.

sábado, 18 de setembro de 2010

Obs.

Agradeço as almas caridosas e moribundas que leem o meu blog.
Os últimos posts estão um tanto quanto naturalistas, animais, cafajestes e são fruto de um pedaço da alma que eu não possuo, mas idealizo, todos os dias, antes de dormir, caso precise usar algum dia.
Aos que têm espíritos puros e bons, saiam dessa página e vão para o orkut. Ou melhor, desliguem essa porcaria e leiam um livro.
E, para quem ficar, dê uma olhada, depois, nas minhas escrituras lírico-amorosas. Elas, ao menos, tiram a carga negativa do seu monitor.

Carta de resposta.

Caboclo, leio as atualizações do seu blog sempre que posso, mas, enquanto rio na frente do computador, a vida me estupra com uma dúvida cruel: Minha namorada terminou comigo, só que ainda a amo muito.

Por causa disso, tô seguindo num dilema terrível. Sinceramente, não aguento mais olhar pra cara da amiga dela anda -Alice-, a qual anda me dando um mole extremo. De verdade, luto, todos os dias, para não fazer jus ao bom sacana que existe dentro de cada homem.
Me ajuda aí.
Bernardo.

Bernardo,
Soube que a bela Alice andou dando em cima de você. Querido, o que lhe falta para encarnar o espírito do macho dominante, altivo e reprodutor que o mundo tanto necessita?
Sei como se sente, pois, sim, recebi na pele a dor que a lâmina cruel do término de um relacionamento causa. Dói muito Bernardo, contudo vence aquele que levanta-se primeiro. Vire um verdadeiro homem!
"Finalize as paradas", coma o fruto proibido até o caroço, criatura. A mão que o afagou foi a primeira a apedrejar você. Vingue-se, irmão, e faça jus ao estereótipo do bom cafajeste, sem remorso algum.
Agir como eu falo não é de todo ruim; Se somos de marte, é porque algumas mulheres nos mandaram para lá, Bernardo. Saia dessa 'fossa' por cima.
Dê uma chance a quem te quer bem e olhe , ao menos, com atenção para as pessoas que veem você como puro objeto de prazer. Acredite, meu caro, mesmo assim elas estariam fazendo melhor uso de seu corpo másculo, comparadas a sua ex.
Faça sexo e guarde as rosas, os poemas de Shakespeare e o amor para quando sua namorada voltar, Bernardo. Se o passado for saudoso, ela vai retornar, cedo ou tarde, querido. Não se desespere, nem converse com o demônio. É um favor que faz a sí mesmo.
Caboclo.

Pense nisso.

Primeiro vem o beijo, e depois a paixão, podendo estes se alternarem, sem problema algum, na história de um casal. É diferente, contudo, quando chega o amor; ele traz consigo os poemas, as flores e, como, consequência, a grande foda. Física ou mental.
O Amor, indubitavelmente, te fode.