Notei neste exato momento que nós, seres humanos, somos egoístas.
Principalmente quando a juventude aflora, nos tornamos nossos próprios universos: Recaímos sobre alguma extensão do ser infinito, cheios de desejos insaciáveis e inadiáveis.
Queremos tudo, mesmo que o tudo seja ridículo, e queremos agora.
E o tempo não pára. E a vida jamais espera nossas realizações para acontecer.
Hoje, há gente morrendo e nascendo. Há gente com frio e com fome.
Há seres humanos como nós também desejando tudo.
Bem como outros, que vislumbram apenas um pouco de comida
Ou respirar por mais um dia.
Alguém realmente liga para isso, ou todos só continuam recaindo sobre sí?
(...)
Quantos sorrisos colocamos nos lábios de alguém hoje?
Quanto sorrisos poderíamos ter colocado se a lamúria e tristeza não nos visassem?
Quantos 'tudo' realmente valem a pena serem conquistados e destes, quantos ajudaremos a alcançar?
(...)
Devemos ter em mente, seres humanos, que, ao atenuar a dor alheia, prevenimos a nossa. E que humanidade não vêm com o nascimento. E que o amor alicerça todas as coisas.
Então, após tudo isso, continuaremos recaindo sobre nós mesmos?
Caboclo Amazônida
Reflorescente.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Maldito Vestibular
Vestibular só não é a pior coisa do mundo, porque ainda não acabaram com a fome da África.
Para se ter idéia de o quanto o processo, em sua totalidade, é ruim, basta refletir do que nos é necessário no dia da prova: Conhecimento sobre botânica, ligações dipolo-dipolo e uma caneta esferográfica transparente de cor preta(Bic). Parece ridículo, mas o esforço de um ano preparatório resume-se a isso. E é exatamente este fato que me deprime.
Não lembro onde li, mas havia um artigo falando sobre as formas de tortura da União Soviética. Uma delas, (talvez a pior) consistia em fazer os detentos, nas gélidas prisões siberianas, retirarem água de uma piscina ,com um balde pequeno e sob um frio de 4ºC, para encher outra, localizada 10 metros da primeira. Ao término da laboriosa operação, deveriam recomeçar tudo novamente. Em um ano, quase todos aqueles homens ficavam loucos.
Guardadas as devidas proporções, o vestibular é assim. Uma tortura que enlouquece exatamente por ser ridícula. E ainda perguntam-se porquê o País está como está.
sábado, 13 de novembro de 2010
Rocambole
Eles estavam brigados. Brigados e na lua-de-mel. Quem poderia imaginar que tudo começou com o noivo nu, encimado no colchão, se auto-proclamando rocambole( "Je suis Rocambolle") e em posição de espadachim? Mas deu no que deu; ela estava indo indo embora. Por consideração, talvez, ainda dirigiu-lhe a palavra .
-Enfie esse rocambole no rabo.
-Enfie esse rocambole no rabo.
domingo, 31 de outubro de 2010
A linha não tão tênue
Já ouvi pessoas utilizarem os termos "putos" e "cafajestes" como sinônimos em diversas ocasiões, corroborando para o fato de que muita gente desconhece a linha não tão tênue entre uma e outra coisa. Pois deixe-me esclarecer.
Putos e putas, para quem não sabe, são palavras designadas a almas quase nada seletivas, as quais entregam o corpo a torto e a direito aos que se dispuserem a dar migalhas, nem sempre relacionadas com dinheiro. Detém ínfimo poder de escolha, não oferecem resistência. Em suma: Por possuirem a mente fraca, fazem com que o amor prórpio padeça.
Cafajestes, por sua vez, pertencem a milhões de estirpes que convergem a uma característica substancial: A arte de petiscar. Fazem isso com primazia. Saboreiam pouco, apenas o que querem, quando querem e, sobretudo, o suficiente para não apaixonarem-se, requisito principal de um lovegame perfeito.
Bem disse, são diversos: Homens, mulheres, ricos, pobres, bonitos, tímidos, feios, com ou sem emprego e nome falsos, famosos ou não. Todos gênios, ambiciosos e soberbos, mimados pelos louros de suas conquistas. Isto é ser cafajeste; temos muito de aprender com eles.
O leitor deve estar se perguntando quanto a mim. Honestamente, não enquadro-me, graças a Deus, em nenhum dos casos. Sei escolher, bem como aprendi a lidar com a situação se, por algum motivo, receber sonoros "não". Aliás, apego-me ás pessoas. Transformo petisco em manjar. E saboreio até chorar de cólicas.
Putos e putas, para quem não sabe, são palavras designadas a almas quase nada seletivas, as quais entregam o corpo a torto e a direito aos que se dispuserem a dar migalhas, nem sempre relacionadas com dinheiro. Detém ínfimo poder de escolha, não oferecem resistência. Em suma: Por possuirem a mente fraca, fazem com que o amor prórpio padeça.
Cafajestes, por sua vez, pertencem a milhões de estirpes que convergem a uma característica substancial: A arte de petiscar. Fazem isso com primazia. Saboreiam pouco, apenas o que querem, quando querem e, sobretudo, o suficiente para não apaixonarem-se, requisito principal de um lovegame perfeito.
Bem disse, são diversos: Homens, mulheres, ricos, pobres, bonitos, tímidos, feios, com ou sem emprego e nome falsos, famosos ou não. Todos gênios, ambiciosos e soberbos, mimados pelos louros de suas conquistas. Isto é ser cafajeste; temos muito de aprender com eles.
O leitor deve estar se perguntando quanto a mim. Honestamente, não enquadro-me, graças a Deus, em nenhum dos casos. Sei escolher, bem como aprendi a lidar com a situação se, por algum motivo, receber sonoros "não". Aliás, apego-me ás pessoas. Transformo petisco em manjar. E saboreio até chorar de cólicas.
É hoje
Hoje, último dia do mês de outubro, é data deveras importante para o Brasil: Poderemos escolher, dentre dois candidatos es-pe-ta-cu-la-res, o nosso presidente, máximo representante de uma nação democrática e gerenciador de inúmeras reservas petrolíferas, da Amazônia e de verbas faraônicas destinadas a construção de complexos esportivos para a Copa e Olimpíadas, em 2014 e 2016, respectivamente. Significa muita coisa, não?
Tendo conhecimento disso, resolvi abrir meu coração sincero, e mandar, docemente, Dilma e Serra se foderem. E não é apenas "se foderem" em sí, mas sim um efusivo sefodam.com, pois perdi parte da minha vida esperando discussões úteis que, no fim, faltaram.
Quis saber quantas escolas seriam feitas no norte e nordeste, regiões muito atrasadas, mesmo para um país emergente. Também queria que falassem do minério daqui, ao menos um pouco. E de nossas florestas. E de nossas vidas, ligadas ao estado de modo mais estatístico do que humano. Nada disso aconteceu.
Disseram serem contra o aborto, muito embora acho que a candidata Dilma, "nunca-antes-eleita-para-qualquer-coisa-neste-país", não saiba, da missa, metade. Rosnaram, entre sí, nomes de Paulo Preto e Erenice (Mas quem Diabos é Paulo Preto, meu Deus?!) e finalizaram a campanha discutindo, cordialmente, se o OVNI jogado no enorme alvo que a calvície de José Serra se transformara havia sido uma bolinha de papel ou um rolo de fita durex. Façam-me o favor.
Já que estamos numa idiocracia, o melhor a ser feito é abolir as eleições e decidir tudinho em uma dança, no Domingão do Faustão. Desse modo popamos tempo, dinheiro e, sobretudo, paciência.
Tendo conhecimento disso, resolvi abrir meu coração sincero, e mandar, docemente, Dilma e Serra se foderem. E não é apenas "se foderem" em sí, mas sim um efusivo sefodam.com, pois perdi parte da minha vida esperando discussões úteis que, no fim, faltaram.
Quis saber quantas escolas seriam feitas no norte e nordeste, regiões muito atrasadas, mesmo para um país emergente. Também queria que falassem do minério daqui, ao menos um pouco. E de nossas florestas. E de nossas vidas, ligadas ao estado de modo mais estatístico do que humano. Nada disso aconteceu.
Disseram serem contra o aborto, muito embora acho que a candidata Dilma, "nunca-antes-eleita-para-qualquer-coisa-neste-país", não saiba, da missa, metade. Rosnaram, entre sí, nomes de Paulo Preto e Erenice (Mas quem Diabos é Paulo Preto, meu Deus?!) e finalizaram a campanha discutindo, cordialmente, se o OVNI jogado no enorme alvo que a calvície de José Serra se transformara havia sido uma bolinha de papel ou um rolo de fita durex. Façam-me o favor.
Já que estamos numa idiocracia, o melhor a ser feito é abolir as eleições e decidir tudinho em uma dança, no Domingão do Faustão. Desse modo popamos tempo, dinheiro e, sobretudo, paciência.
sábado, 30 de outubro de 2010
Carta de resposta. A segunda.
"Acabei de pensar em uma questão a qual desejo que o nobre e sábio Caboclo Amazônida me respondesse:
Como tirar da cabeça alguém que o seu coração insiste em gritar o nome?"
Anônima.
Não entendo por que o coração leva culpa de tanta coisa. Pelo que me foi ensinado na escola, ele é um orgão oco, musculoso e que, através de sístoles e diástoles, consegue bombear o sangue para os espaços mais improváveis do corpo. Gritar (ou mesmo cochichar) não é sua especialidade.
Quem faz tanto escândalo, na verdade, é o subconsciente, cúmplice culposo de um rapaz que amarrou-lhe sem precisar ter feito qualquer esforço hercúleo. Ele sim, o cafajeste, rato de puteiro, mostra-se o grande responsável por seu organismo estar ás avessas, cheio de sudoreses, insônia e taquicardias aos montes.
Esclarecidos estes fatos, vamos direto ao ponto:
Se você acha que tenho a fórmula da independência amorosa, desista. Não posso lhe ajudar em tal quesito.
Há comigo, na verdade, poucas ponderações de boa serventia, querida. Aceite-as se assim desejar:
1ª ponderação: Tenha paciência.Pe. Antônio Vieira dizia o seguinte: O tempo corre, e, assim como atreve-se a derrubar colunas de mármore, corações de cera não escapam-lhe dos efeitos. O tempo enfastia o gosto. Ele devia estar certo.
2ª ponderação: Conquiste sua liberdade aos poucos.
Não vale a pena ficar em casa, chorando no chão da cozinha, e chamando-se de burra. Isto, além de não aumentar o seu número de neurônios, vai, aos poucos, acabar com toda estrutura que lhe resta.
Por experiência própria, ponha uma roupa bacana, saia de casa, perfume-se com perfumes tão bons quanto o adocicado one million ou o fortiíssimo Diamonds, e seja feliz com outras pessoas. Regogize-se com quem faz da possibilidade de deixá-la alegre, algo real.
E derradeiro: reze, de noite, para que todo dia seja um dia de felicidade.
Belém, 30 de outubro de 2010.
Como tirar da cabeça alguém que o seu coração insiste em gritar o nome?"
Anônima.
Não entendo por que o coração leva culpa de tanta coisa. Pelo que me foi ensinado na escola, ele é um orgão oco, musculoso e que, através de sístoles e diástoles, consegue bombear o sangue para os espaços mais improváveis do corpo. Gritar (ou mesmo cochichar) não é sua especialidade.
Quem faz tanto escândalo, na verdade, é o subconsciente, cúmplice culposo de um rapaz que amarrou-lhe sem precisar ter feito qualquer esforço hercúleo. Ele sim, o cafajeste, rato de puteiro, mostra-se o grande responsável por seu organismo estar ás avessas, cheio de sudoreses, insônia e taquicardias aos montes.
Esclarecidos estes fatos, vamos direto ao ponto:
Se você acha que tenho a fórmula da independência amorosa, desista. Não posso lhe ajudar em tal quesito.
Há comigo, na verdade, poucas ponderações de boa serventia, querida. Aceite-as se assim desejar:
1ª ponderação: Tenha paciência.Pe. Antônio Vieira dizia o seguinte: O tempo corre, e, assim como atreve-se a derrubar colunas de mármore, corações de cera não escapam-lhe dos efeitos. O tempo enfastia o gosto. Ele devia estar certo.
2ª ponderação: Conquiste sua liberdade aos poucos.
Não vale a pena ficar em casa, chorando no chão da cozinha, e chamando-se de burra. Isto, além de não aumentar o seu número de neurônios, vai, aos poucos, acabar com toda estrutura que lhe resta.
Por experiência própria, ponha uma roupa bacana, saia de casa, perfume-se com perfumes tão bons quanto o adocicado one million ou o fortiíssimo Diamonds, e seja feliz com outras pessoas. Regogize-se com quem faz da possibilidade de deixá-la alegre, algo real.
E derradeiro: reze, de noite, para que todo dia seja um dia de felicidade.
Belém, 30 de outubro de 2010.
sábado, 23 de outubro de 2010
De volta.
Apesar de todas as catástrofes, há sempre um recomeço, melancólico, porém ainda recomeço.
Hoje não vim relatar nada tão intimista. Na verdade, o maior motivo de estar escrevendo é meu desejo de voltar a ser como antes. Fazer as coisas de antes, e ser competente como fui por bastante tempo. Um recomeço, por que não?
Para quem lê aqui -e duvido muito que alguém leia- deve ter ficado bem perceptível o declínio do meu número de produções, além da decadência da qualidade dos textos, bem como os temas, que, saindo da esfera político-fantasiosa, foram parar como croniquetes dignos da geração Spleen ou mesmo de Álvares de azevedo. Eu sinto-me ridículo. E mais ridículo por perder meu tempo ainda escrevendo isso.
De qualquer forma, tudo finda algum dia. Chega deste bendito paradoxo e vamos, finalmente ao que interessa: Estou de volta, amiguinhos, de corpo e alma, pronto para relatar o quanto minhas costas doem por causa do vestibular ou o quanto geometria analítica transforma meu cérebro em serragem.
Sinto-me pronto, também, para escrever sobre política, pois só terei este manjar novamente daqui há quatro anos, e pretendo, até lá, ocupar minha agenda com coisas muito mais interessantes do que ficar sentado na frente do computador.
Então é isso. Deliciem-se com este bilhete e aguardem pelas próximas crônicas, as quais, eu prometo, terão melhor qualidade e um entendimento mais acessível.
Um beijo no coração, Seus merdas.
Hoje não vim relatar nada tão intimista. Na verdade, o maior motivo de estar escrevendo é meu desejo de voltar a ser como antes. Fazer as coisas de antes, e ser competente como fui por bastante tempo. Um recomeço, por que não?
Para quem lê aqui -e duvido muito que alguém leia- deve ter ficado bem perceptível o declínio do meu número de produções, além da decadência da qualidade dos textos, bem como os temas, que, saindo da esfera político-fantasiosa, foram parar como croniquetes dignos da geração Spleen ou mesmo de Álvares de azevedo. Eu sinto-me ridículo. E mais ridículo por perder meu tempo ainda escrevendo isso.
De qualquer forma, tudo finda algum dia. Chega deste bendito paradoxo e vamos, finalmente ao que interessa: Estou de volta, amiguinhos, de corpo e alma, pronto para relatar o quanto minhas costas doem por causa do vestibular ou o quanto geometria analítica transforma meu cérebro em serragem.
Sinto-me pronto, também, para escrever sobre política, pois só terei este manjar novamente daqui há quatro anos, e pretendo, até lá, ocupar minha agenda com coisas muito mais interessantes do que ficar sentado na frente do computador.
Então é isso. Deliciem-se com este bilhete e aguardem pelas próximas crônicas, as quais, eu prometo, terão melhor qualidade e um entendimento mais acessível.
Um beijo no coração, Seus merdas.
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