"Acabei de pensar em uma questão a qual desejo que o nobre e sábio Caboclo Amazônida me respondesse:
Como tirar da cabeça alguém que o seu coração insiste em gritar o nome?"
Anônima.
Não entendo por que o coração leva culpa de tanta coisa. Pelo que me foi ensinado na escola, ele é um orgão oco, musculoso e que, através de sístoles e diástoles, consegue bombear o sangue para os espaços mais improváveis do corpo. Gritar (ou mesmo cochichar) não é sua especialidade.
Quem faz tanto escândalo, na verdade, é o subconsciente, cúmplice culposo de um rapaz que amarrou-lhe sem precisar ter feito qualquer esforço hercúleo. Ele sim, o cafajeste, rato de puteiro, mostra-se o grande responsável por seu organismo estar ás avessas, cheio de sudoreses, insônia e taquicardias aos montes.
Esclarecidos estes fatos, vamos direto ao ponto:
Se você acha que tenho a fórmula da independência amorosa, desista. Não posso lhe ajudar em tal quesito.
Há comigo, na verdade, poucas ponderações de boa serventia, querida. Aceite-as se assim desejar:
1ª ponderação: Tenha paciência.Pe. Antônio Vieira dizia o seguinte: O tempo corre, e, assim como atreve-se a derrubar colunas de mármore, corações de cera não escapam-lhe dos efeitos. O tempo enfastia o gosto. Ele devia estar certo.
2ª ponderação: Conquiste sua liberdade aos poucos.
Não vale a pena ficar em casa, chorando no chão da cozinha, e chamando-se de burra. Isto, além de não aumentar o seu número de neurônios, vai, aos poucos, acabar com toda estrutura que lhe resta.
Por experiência própria, ponha uma roupa bacana, saia de casa, perfume-se com perfumes tão bons quanto o adocicado one million ou o fortiíssimo Diamonds, e seja feliz com outras pessoas. Regogize-se com quem faz da possibilidade de deixá-la alegre, algo real.
E derradeiro: reze, de noite, para que todo dia seja um dia de felicidade.
Belém, 30 de outubro de 2010.

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