Em quase todas as noites, quando encosto a cabeça junto ao travesseiro, o plano da memória vem e acaba me mantendo acordado por cerca de meia hora. Nesse período, um curta metragem do menino rechonchudo que fui passa e posso dizer, sem modéstia alguma: "Minha infância foi saudosamente ridícula!"
Os shorts molhados, lágrimas derramadas, as paixões infantis! Não me canso de escrever o quanto a presença de inocência sentimental em uma criança é bela. Até isso me dá saudade. Se minhas paixões fossem comparadas as do moleque gordinho, ele ganharia de forma inconteste.
Outra coisa que me desperta curiosidade: Como consigo sentir falta de um tempo o qual tinha muito menos prestígio? Se hoje sou 'quase carismático', na rebelde época das papetes do seninha, fui apenas um chatinho apaixonado pela garota de tranças da terceira fila de cadeiras da sala duzentos e um.
Acho que tudo se deve ao velho paradigma da 'grama-do-vizinho'. Se continuasse acima do peso normal e apaixonado, provavelmente sonharia em mudar de situação. Como não sucedera-se dessa forma, sinto o coração apertar frequentemente antes de dormir. E assim minha vida continua.

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