- Fui. Com mulheres não se discute. Com belas, se obedece-
Seguimos alguns metros. Teu silêncio, naquele instante, libertou pensamentos cruéis, confesso. O jeito que apertaste minha mão enquanto caminhávamos havia posto grande medo em mim e nos jovens ao nosso redor.
Continuavas apertando minha mão. Mesmo ela extremamente suada, não conseguia soltar-se de tuas garras felinas. Gritei por socorro. Já era tarde demais. Puseste-me num beco e eu fui transformado em tua presa.
Uma sirene te atordoou. Amor, confesso que corri, como nunca na vida. Meu pecado talvez tenha sido olhar para trás e mirar-te uma última vez.
Não me poupaste. Fui carregado e posto contra o muro. Tua beleza tratou de me entorpecer por completo. A chance de escapatória restringiu-se a zero.
Olhei para teus olhos verdes e suspirei; e pensei; e vi tua boca abrir. Tudo se consumou em poucas palavras:
- Agora tu vai preso, Meliante!

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