
Eu sempre tive muitos animais aqui por casa. Mas um, em toda história da biodiversidade de meu magnífico quintal, me chamou mais atenção.
Era um Quati chamado paraty. Uns chamam esquilo, outros gambá. Eu chamo Quati, pra rimar mesmo. Paraty, o Quati.
Na verdade, o nome dele nem era esse, mas quando o recebi de presente do capitão do mato houve um vazio de criatividade. Dessa forma, Sucedeu me chamá-lo da última frase que ouvira.
"Para tu..."
Paratu era pouco estilístico, então fiz uma ligeira adaptação léxico-fonética.
-Paraty, o quati. Perfeito.
Entretanto, a história é do animal, e não do nome dele.
...Continuando. Ele foi o bicho que mais me chamou atenção, pois tinha uma afetividade para comigo.
Quando eu sumia na névoa, em direção as bebidas, ele me esperava até a manhã seguinte, e ai de mim se não aparecesse.
Não raras foram as vezes que fui acordado no meio da calçada com Paraty jogando nozes em minhas temporas. Ele se preocupava com minha saúde e bem estar. Afinal, se a ressaca me abatesse, as escrituras sairiam ruins o suficiente para eu não poder comprar nossa comida.
Foram bons os dias que Paraty passou ao meu lado. As manhãs ensolaradas, com ele brincando entre as gramíneas são imagens que descansam em um canto alvo de minha mente. E mais alvo ainda, e mais recente também, foi quando ele salvou minha vida.
Em uma noite chuvosa, eu caminhava pelos cantos desérticos da cidade velha, voltando da boemia belenense.
E sim, já tinha em mente que Paraty deveria estar furioso comigo, mas necessitava espairecer meio a sacanagem noturna; Foi um dia difícil.
Continuei caminhando até o alcool apertar minha cabeça fortemente. Dobrei na primeira esquina que meus pés acharam, chutando todas as caixas de papelão possíveis.
As duas horas, eu já tinha chegado na presidente vargas, quando de repente vi lançar sob minha frente um mendigo muito mais alcolizado que minha pessoa.
Ele carregava uma barra de ferro, se me lembro bem. E gritava demasiadamente: "Filha da puta, cadê minha caixa de papelão?"
Eu, sinceramente, mal sabia o que fazer. Ele alçava veloz em minha direção.
Calculei que a única forma de sobrevivência possível seria correr. Essa idéia, mais breve que um sopro, foi a última que tive antes de Paraty salvar minha vida.
O Quati, vindo das trevas, com suas asinhas abertas, varou no olho do mendigo. A Barra de ferro ricocheteava no ar.
Paraty me deu o tempo suficiente para fugir.
Desde então, nunca mais o vi. Uns dizem que ele foi encontrado morto, no mesmo lugar de sua ultima aparição, entretanto, prefiro acreditar que ele está no mais alto panteão de heróis que o mundo pode oferecer.
Essa é uma história verídica, Do Quati Paraty.